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quinta-feira, 15 de outubro de 2026
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Geladeira velha ou módulo solar a mais? A conta de qual dos dois corta mais kWh por real

Antes de pagar por mais painéis, vale trocar a geladeira de 12 anos? Comparei o custo de cada kWh economizado: trocar o aparelho ou adicionar um módulo ao sistema.

Bruno Aragão 6 min de leitura
Geladeira aberta em cozinha residencial com prateleiras de alimentos sob luz natural
Geladeira aberta em cozinha residencial com prateleiras de alimentos sob luz natural

O integrador sugere um sistema de 5 kWp. Você olha pra cozinha e vê a geladeira duplex que veio com a casa, rangendo desde 2013. Pergunta que quase ninguém faz na hora de fechar o orçamento: o primeiro real deve ir pra um aparelho novo ou pra mais um painel no telhado? Fiz a conta dos dois lados, e a resposta é menos óbvia do que o discurso de “eficiência primeiro”.

O que importa decidir

Quatro critérios separam uma troca inteligente de uma troca por impulso:

  1. Quanto o aparelho velho realmente gasta. Não o que a etiqueta de 2013 prometia, mas o que ele puxa hoje, com borracha ressecada e compressor cansado.
  2. Quanto o novo gasta. A etiqueta mede em laboratório; numa cozinha a 32 graus, o consumo real sobe.
  3. Quanto custa cada kWh poupado nas duas rotas: trocar o aparelho ou gerar mais.
  4. Se o aparelho está no fim da vida. Se vai morrer em dois anos, a troca não é decisão de economia, é só data.

Os números de partida

O Canaltech coloca uma geladeira duplex antiga entre 75 e 95 kWh por mês, contra 35 a 40 kWh de um modelo inverter com selo Procel. O Olhar Digital usa uma régua mais gentil: 55 kWh para o aparelho com mais de dez anos e 18 kWh para o eficiente. As duas fontes discordam no valor absoluto, mas concordam no recado: a diferença fica na casa de 35 a 40 kWh por mês. Fico com 40, o ponto mais favorável à troca, porque assim ninguém pode me acusar de torcer contra o aparelho novo.

Um detalhe que muda o cenário em 2026: desde 1º de janeiro, a etiqueta de refrigeradores do Inmetro tem só as classes A, B e C, e o diretor de avaliação da conformidade do Inmetro, João Nery, estimou que os produtos nas lojas serão em média 17% mais eficientes que os anteriores, segundo a Band. Parte do estoque com etiqueta antiga ainda circula até o fim do ano, então leia a etiqueta, não a propaganda.

A conta que não está em nenhum folheto

Rota 1: trocar a geladeira. Hipóteses: tarifa de R$ 0,85 por kWh e geladeira inverter de R$ 3.200. Economia de 40 kWh por mês vale R$ 34 mensais, ou R$ 408 por ano. Payback do aparelho só pela conta de luz: 3.200 divididos por 408, quase 8 anos.

Rota 2: adicionar um módulo ao sistema. Hipóteses: HSP de 5 horas (região de sol médio-alto), eficiência global de 80% e 30 dias no mês. Cada kWp gera cerca de 120 kWh por mês (5 x 0,8 x 30). Pra cobrir 40 kWh, preciso de 0,33 kWp, ou seja, um módulo de 550 Wp, que ainda deixa sobra. Com instalação a R$ 4.500 por kWp (hipótese; peça o seu orçamento), são uns R$ 1.500. Os mesmos R$ 34 por mês pagam isso em cerca de 3,7 anos.

Trocar a geladeiraAdicionar 1 módulo
Investimento (hipótese)R$ 3.200R$ 1.500
kWh por mês compensados4040 (com margem)
Retorno só na conta de luzcerca de 8 anoscerca de 3,7 anos
Vida útil esperada10 a 15 anos25 anos ou mais
Ponto de atençãoPreço do aparelhoTelhado, inversor e Fio B

Ou seja: se a geladeira velha funciona, o módulo extra costuma ganhar na conta pura. Isso contraria o mantra “primeiro eficiência, depois geração”, que vale bem em outros aparelhos, mas não necessariamente aqui, onde o aparelho novo custa caro e a economia é de uns 40 kWh.

Eu mudaria de ideia num caso: geladeira ou freezer horizontal dos anos 90, com consumo três vezes acima do esperado. Aí a diferença sobe pra uns 100 kWh por mês, o payback do aparelho cai pra perto de 3 anos e a troca vira prioridade.

O freio da rota 2

Dois asteriscos honestos. O primeiro: a geladeira roda 24 horas, e o painel só gera de dia. A parte que sobra de dia volta como crédito na rede, e esse crédito é descontado pela componente de uso da rede (o Fio B, que a Lei 14.300 foi tornando mais cara a cada ano). Por isso o módulo extra rende menos do que os 40 kWh brutos sugerem; expliquei o mecanismo em vampiro de energia com painel solar. Se eu descontar de 20% a 30% por esse efeito (estimativa minha), o payback da rota 2 sobe pra algo entre 4,5 e 5,5 anos, ainda melhor que 8.

O segundo: nem todo telhado aceita mais um módulo, e o inversor pode já estar no limite. Antes de contar com ele, confira a folga de potência e o espaço, como detalho em quantos kWp sua casa precisa.

Minha escolha e por quê

Se o orçamento do solar ainda está aberto, dimensione o sistema já considerando a geladeira que você tem hoje, e deixe a troca para quando o aparelho der sinais de fim de vida: porta que não veda, compressor ligando o tempo todo, gelo onde não deveria. Nesse momento a pergunta muda de “vale trocar?” pra “qual comprar?”, e a resposta é o modelo classe A com o consumo mensal em kWh na etiqueta.

Se você já tem o sistema fechado e apertado, a geladeira só passa na frente quando for muito velha. E antes dela, olhe o que pesa de verdade: o chuveiro elétrico e a conta do solar merecem a atenção primeiro.

O que eu não faria: pagar a geladeira nova por impulso e depois descobrir que o sistema ficou pequeno pra casa inteira. Dimensione pelo consumo real, não pelo desejo de aparelho novo.

Perguntas que as pessoas pesquisam de verdade

Quanto uma geladeira antiga consome por mês? Depende do modelo e da idade. Fontes de imprensa citam de 55 a 95 kWh mensais para aparelhos com mais de dez anos. A leitura confiável é medir com um wattímetro de tomada por 24 horas ou olhar a etiqueta, se ainda estiver colada.

A temperatura da cozinha muda o consumo? Muda. A etiqueta mede o consumo em laboratório, em ambiente de cerca de 25 graus. Em cozinha quente, geladeira cheia e porta aberta toda hora, o consumo real tende a subir. Deixe uns 10 cm de folga atrás do aparelho e não encoste a geladeira no fogão.

Fontes

B

Escrito por

Bruno Aragão

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300.

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