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quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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ART do projeto solar: por que exigir antes de assinar o contrato (não depois)

A Resolução 1.137/23 do Confea diz que nenhuma obra pode começar sem ART registrada. Muitos integradores só emitem depois — ou nunca. Veja por que isso é tarde demais.

Jhonathan Meireles 4 min de leitura
Engenheiro assinando documento de responsabilidade técnica ao lado de sistema solar em instalação
Engenheiro assinando documento de responsabilidade técnica ao lado de sistema solar em instalação

Um leitor de Sorocaba me escreveu em maio contando que só descobriu que o sistema dele nunca teve ART registrada quando tentou acionar a garantia depois de um defeito no inversor. O vendedor — porque era vendedor, não engenheiro — sumiu do WhatsApp. Sem ART, não havia responsável técnico identificável, e a seguradora residencial recusou o sinistro alegando “instalação sem responsabilidade técnica formalizada”. O sistema funcionava havia dois anos. Ninguém tinha percebido o buraco até precisar dele.

O que aconteceu (e por que é mais comum do que parece)

ART é a Anotação de Responsabilidade Técnica — o documento que vincula formalmente um engenheiro, técnico ou empresa habilitada a uma obra específica, registrado no Crea. Desde 2023, quem regula o procedimento é a Resolução 1.137/23 do Confea, que substituiu a antiga 1.025/09 e trouxe registro eletrônico e vínculo direto ao Sistema de Informação do Confea/Crea. A lógica não mudou: nenhuma obra ou serviço técnico pode começar sem ART, e isso vale integralmente pra sistema fotovoltaico — não é burocracia extra, é a mesma exigência que vale pra uma reforma estrutural ou uma instalação elétrica predial.

Na prática do mercado solar, porém, virou hábito comum emitir a ART depois — só quando a distribuidora exige o documento pra homologar a conexão. Entre a assinatura do contrato e esse momento, você já pagou o sinal, já entregou o telhado pra perfuração, e já não tem poder de negociação nenhum se descobrir que ninguém habilitado assumiu responsabilidade técnica pelo projeto.

Quem pode assinar, tecnicamente: engenheiro eletricista, engenheiro de energia (conforme atribuições da Resolução 1.076 do Confea) ou técnico industrial em eletrotécnica, este último limitado a projetos de até 800 kVA — o que cobre folgadamente qualquer sistema residencial.

Por que isso importa pra você

A ART não é papel decorativo. Ela muda três coisas concretas na sua relação com o instalador:

  • Rastreabilidade técnica. Se algo falhar — dimensionamento errado, erro de aterramento, projeto elétrico incompatível com o padrão de entrada — existe um nome, um CREA e um número de registro que respondem por isso, inclusive judicialmente.
  • Cobertura de seguro. Como no caso do leitor de Sorocaba, seguradoras residenciais e de obra costumam recusar sinistro em instalação sem responsabilidade técnica documentada.
  • Poder de negociação antes de pagar. Exigir a ART antes de assinar é o único momento em que você ainda tem alavancagem. Depois do sinal pago, “vou emitir a ART depois” vira promessa que ninguém cobra.

O que fazer com isso agora

  1. Peça o número da ART (ou o compromisso formal de emissão, com prazo, no contrato) antes de assinar — não depois da instalação, não “quando for homologar”.
  2. Confirme a habilitação do responsável no site do Crea da sua região. É consulta pública e gratuita — leva menos de cinco minutos.
  3. Exija que o nome na ART seja o mesmo que assina o contrato. Empresa contrata, mas quem assume tecnicamente é pessoa física registrada — confira se batem.
  4. Guarde a ART junto com o laudo pós-instalação. Os dois documentos juntos são sua prova técnica em caso de defeito, sinistro ou disputa contratual.
  5. Se o instalador empurrar a conversa sobre ART pra “depois”, trate como red flag — no mesmo nível de pedir PIX pra pessoa física em vez de nota fiscal da empresa.

Isso também importa se, no meio da obra, você decidir trocar de instalador — a ART original precisa ser baixada e uma nova, emitida, ou a homologação trava na distribuidora. E seus direitos como consumidor sobre isso não são “boa vontade” do integrador — estão amparados pelo Código de Defesa do Consumidor aplicado à instalação solar, que também merece leitura antes de qualquer sinal pago. Do lado regulatório, a própria Lei 14.300 traz uma lista do que checar antes de assinar contrato, e ART está no topo dessa lista.

FAQ

A ART é obrigatória mesmo pra sistema solar residencial pequeno? Sim. Não existe piso de potência que dispense ART — o que muda é quem pode assinar (técnico industrial habilitado cobre até 800 kVA, o que inclui qualquer projeto residencial).

Posso instalar sem ART pra economizar? Você pode achar um instalador que não emite, mas o risco é seu: sem ART, você não tem responsável técnico identificável se algo der errado, e seguradoras costumam recusar sinistro.

A ART cobre também a instalação, ou só o projeto? Pode cobrir os dois, mas é comum ter ART de projeto e ART de execução separadas. Confirme com o instalador qual escopo está anotado — e exija que os dois existam.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300. Editor do Solar Brasil.

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