12 perguntas para fazer ao instalador solar antes de fechar (e o que cada resposta revela)
O roteiro de perguntas que separa integradora séria de vendedor de kit. O que perguntar antes de assinar contrato solar em 2026 e como interpretar cada resposta.
Atendi um casal em Goiânia que tinha três orçamentos solares na mão e zero ideia de qual escolher. Os preços batiam quase igual: R$ 24,8 mil, R$ 25,1 mil e R$ 26,9 mil. “Vou no mais barato”, disse o marido. Pedi pra ele ligar pros três e fazer cinco perguntas. Depois das ligações, o “mais barato” caiu pro último lugar — e o do meio virou a escolha óbvia. Nenhum centavo do preço tinha mudado. O que mudou foi o que as respostas revelaram.
A verdade desconfortável do mercado solar brasileiro: comparar orçamento por preço é o jeito mais rápido de fechar com a empresa errada. Preço você lê em trinta segundos. Caráter de empresa, você só descobre perguntando — e ouvindo como a pessoa responde.
O que essas perguntas precisam decidir
Você não está testando o conhecimento técnico do vendedor (ele decorou o pitch). Você está sondando quatro coisas que o orçamento esconde:
- A empresa existe de verdade e vai existir daqui a 10 anos — pra honrar garantia.
- Quem assina a responsabilidade técnica — projeto sem ART é projeto sem dono.
- O que está e o que NÃO está no preço — o barato que vira caro mora aqui.
- Como ela age quando dá problema — porque um dia vai dar.
As 12 perguntas abaixo cobrem essas quatro frentes. A coluna “bandeira vermelha” é o que eu, na prática, vejo derrubar contrato.
As 12 perguntas — e o que cada resposta entrega
| # | Pergunta | Resposta boa | Bandeira vermelha |
|---|---|---|---|
| 1 | Qual o CNPJ e há quanto tempo a empresa opera? | CNPJ ativo, +3 anos, mesma razão social | ”Sou MEI, começamos esse ano” / hesitação |
| 2 | Quem é o responsável técnico e qual o número da ART/RRT? | Nome do engenheiro + CREA + emite ART por obra | ”A ART a gente vê depois” / terceiriza sem nome |
| 3 | A instalação tem garantia separada da garantia dos equipamentos? | Sim, termo de serviço próprio (1 a 5 anos) | “A garantia é a do fabricante” (não é a mesma coisa) |
| 4 | Quem faz a homologação na distribuidora e está incluso? | Equipe própria, incluso no preço, prazo definido | ”Você faz” ou “custa à parte” sem avisar antes |
| 5 | O preço inclui projeto, ART, estrutura, mão de obra e homologação? | Detalha item a item por escrito | Valor “fechado” sem discriminar o que entra |
| 6 | Posso falar com 2 clientes que vocês atenderam ano passado? | Passa contato na hora | Enrola, “privacidade”, não tem referência |
| 7 | Qual a marca do módulo e do inversor, e a garantia de cada? | Marca, modelo, anos de garantia de produto e performance | ”É um inversor bom” sem dizer qual |
| 8 | E se um módulo trincar ou o inversor queimar em 2 anos? | Explica fluxo: laudo, acionamento, prazo de troca | ”Aí é com o fabricante, não comigo” |
| 9 | Vocês têm seguro de responsabilidade civil? | Apólice vigente, mostra número | Não tem e não vê problema |
| 10 | Qual o cronograma e o que acontece se atrasar? | Prazo por etapa + cláusula de multa por atraso | ”Depende” sem nada no papel |
| 11 | Como funciona o pagamento — sinal, parcelas, retenção final? | Sinal moderado + parcela atrelada a entrega | Pede 80-100% adiantado |
| 12 | Quem assina o contrato e onde fica registrado? | Contrato com CNPJ, foro, cláusulas claras | ”Fechamos no WhatsApp mesmo” |
A pergunta que separa profissional de aventureiro
Se eu pudesse fazer uma só, seria a número 2: “Qual o número da ART e quem é o engenheiro responsável?”
A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), ou RRT no caso de arquitetos, é o documento que coloca um profissional com registro no CREA assumindo a responsabilidade legal pela obra. Sem ela, ninguém responde se o telhado ceder, se houver incêndio elétrico ou se a geração ficar abaixo do prometido. Empresa que treme nessa pergunta normalmente terceiriza a ART pra um engenheiro que nunca pisou na sua casa — ou simplesmente não emite.
Detalhei o peso desse documento em como escolher instalador solar checando ART, CREA e Inmetro. E se a empresa some depois da instalação, a ART é justamente o que te dá a quem recorrer quando o instalador desaparece.
Minha escolha e por quê
Voltando ao casal de Goiânia: o orçamento mais barato veio de um MEI de oito meses, sem seguro, que pedia 70% adiantado e ia “ver a ART depois”. O do meio era uma integradora de quatro anos, com engenheiro nomeado, ART por obra, garantia de serviço de 3 anos e pagamento com retenção de 20% só após a vistoria final.
Os R$ 300 de diferença entre eles desapareceram no momento em que o MEI travou na pergunta 9. Não é sobre pagar mais — é sobre não pagar de novo. Refazer uma instalação malfeita custa, no mercado que acompanho, entre 40% e 70% do valor original, fora o tempo sem gerar energia.
A lógica é a mesma que vale na hora de comparar as três propostas lado a lado: o número que importa não é o preço, é o que cada empresa entrega por esse preço. Cruzei isso em como comparar 3 propostas de integradoras sem cair no truque do preço. E porque toda essa diligência só faz sentido se o sistema fechar conta no fim, vale conferir antes quanto a conta de luz precisa ser pra solar valer a pena — diligência boa em projeto que não paga é esforço no lugar errado.
FAQ
É falta de educação pedir contato de clientes anteriores?
Não. É praxe em qualquer compra de R$ 20 mil ou mais. Empresa séria tem orgulho das referências. Se ela trata o pedido como ofensa, isso já é a resposta.
O instalador precisa ter engenheiro próprio ou pode terceirizar a ART?
Pode terceirizar, desde que o engenheiro seja nomeado, tenha CREA ativo e emita a ART daquela obra específica. O problema não é terceirizar — é não saber dizer quem é.
Quanto de sinal é razoável pedir antes de começar?
Não existe número legal fixo, mas adiantamento acima de 40-50% sem entrega de material é risco. O ideal é atrelar parcelas a marcos: sinal, entrega do material, fim da instalação e liberação após vistoria. Tratei do cronograma de pagamento em detalhe neste guia sobre sinal, parcelas e entrega.
Fontes
Escrito por
Bruno Aragão
Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300.


