sexta-feira, 22 de maio de 2026
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ANEEL aprova leilões de reserva de capacidade 2026: o que muda no setor

ANEEL aprovou em fevereiro/2026 dois editais de reserva de capacidade e um leilão de transmissão de R$ 5,11 bi. O que isso significa para o solar fotovoltaico.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Linhas de transmissão de alta tensão ao lado de usina solar fotovoltaica em paisagem brasileira
Linhas de transmissão de alta tensão ao lado de usina solar fotovoltaica em paisagem brasileira

TL;DR

  • A ANEEL aprovou em fevereiro de 2026 dois editais de Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) realizados em março/2026, com foco em hidrelétricas e termelétricas — sem cota dedicada à fotovoltaica desta vez (ANEEL).
  • Também foi aprovado o edital do primeiro leilão de transmissão de 2026, com 9 lotes, 859 km de novas linhas e 4.350 MVA de capacidade, somando R$ 5,11 bilhões de investimentos (ANEEL).
  • Em paralelo, a ABSOLAR confirmou em maio/2026 que o Brasil ultrapassou R$ 300 bilhões de investimentos acumulados em solar fotovoltaico e 68,6 GW instalados, com projeção de adicionar mais 10,6 GW no ano (Canal Solar; Portal Solar).
  • A leitura do setor é clara: o solar precisa de leilões dedicados e mais investimento em transmissão para destravar projetos centralizados parados por curtailment e gargalos de rede (O Cafezinho).

Por que os leilões de 2026 importam para o solar mesmo sem cota dedicada?

Porque o que trava o solar centralizado hoje no Brasil não é falta de geração — é falta de rede para escoar. O setor instalou 11,6 GW em 2025 (queda de 25,6% ante 2024) e a ABSOLAR projeta nova queda de 7% em 2026, chegando a 10,6 GW (Portal Solar). O problema central é curtailment (cortes de geração quando a rede não suporta) e dificuldade de conexão sob justificativa de inversão de fluxo.

Por isso o leilão de transmissão aprovado em fevereiro/2026, com 859 km de linhas e R$ 5,11 bi, é estratégico mesmo sem ser “leilão solar”: cada quilômetro novo de transmissão libera capacidade para novas usinas fotovoltaicas e parques eólicos hoje engessados.

A pressão sobre a Aneel por leilões de energia renovável dedicados se intensificou em maio/2026, com a marca dos R$ 300 bilhões investidos e a queda de adições no ano — o setor argumenta que sem novos contratos A-4/A-5 com cota solar, a tendência de desaceleração se aprofunda em 2027 (O Cafezinho).

Como ficam os números do leilão de transmissão 2026?

ParâmetroValor
Lotes ofertados9
Novas linhas de transmissão859 km
Capacidade de transformação4.350 MVA
Investimento previstoR$ 5,11 bilhões
Foco regionalConexão de novas fontes renováveis

Fonte: ANEEL — Edital do primeiro leilão de transmissão de 2026.

Os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP) aprovados em fevereiro foram realizados em março/2026 e focam em fontes despacháveis — hidrelétricas e termelétricas — para complementar a oferta de potência firme, sobretudo nos horários de ponta. O solar fotovoltaico não compete nesta modalidade porque a geração depende da irradiação no momento, sem reservar capacidade no horário de pico noturno sem armazenamento.

Quanto o setor solar acumulou até 2026?

O balanço da ABSOLAR, divulgado em 01/05/2026 pela Agência Brasil, traz números consolidados:

IndicadorValor (maio/2026)
Capacidade instalada total68,6 GW
Geração centralizada (UFV)~22,3 GW
Geração distribuída (GD)~46,3 GW
Participação na matriz elétrica25,3%
Investimentos acumuladosR$ 300+ bilhões
Municípios com GD instaladamais de 5 mil
Projeção de adição em 202610,6 GW
Capacidade prevista fim 202675,9 GW

Fonte: Canal Solar; Atualidade Política; Portal Solar.

A fonte solar é hoje a segunda maior da matriz elétrica brasileira, atrás apenas da hidráulica (~41,6%). Para fechar 2026 com 75,9 GW, o setor precisa adicionar GD e centralizada em ritmo que depende fortemente do destravamento das filas de conexão.

Como ficou o calendário regulatório?

  • Janeiro/2026: entra em vigor a 4ª etapa da Lei 14.300/2022 — Fio B em 60% para sistemas conectados após 07/01/2023 (pv magazine Brasil).
  • Fevereiro/2026: ANEEL aprova os editais LRCAP e o edital de transmissão de R$ 5,11 bi (ANEEL).
  • Março/2026: realização dos Leilões de Reserva de Capacidade (sem cota solar).
  • Maio/2026: marca de R$ 300 bi em investimentos acumulados é ultrapassada; ABSOLAR confirma resiliência do setor apesar dos obstáculos (ABSOLAR).
  • 2027: Fio B sobe para 75%.
  • 2028: Fio B chega a 90%.
  • 06/01/2029: encerramento do regime de transição da Lei 14.300/2022. A ANEEL deve publicar novo modelo de compensação baseado em estudo de custos e benefícios da geração distribuída.

O que esperar dos próximos meses?

O setor aguarda três sinais relevantes ainda em 2026:

  1. Conclusão do leilão de transmissão de 2026 — a expectativa é destravar projetos solares de geração centralizada no Nordeste e Centro-Oeste.
  2. Eventual leilão A-4 ou A-5 com cota renovável, ainda não confirmado, mas pressionado pela ABSOLAR e pela Frente Parlamentar das Renováveis.
  3. Publicação da nota técnica final da Tomada de Subsídios 23/2025, que vai delinear o modelo de compensação pós-2029.

Para entender o impacto da Lei 14.300 na sua conta de luz, veja o post Lei 14.300 Fio B 60% em 2026 e a análise completa em Solar Brasil supera R$ 300 bi em maio/2026.

FAQ

Por que não houve cota solar nos leilões de reserva de capacidade?

Porque o LRCAP exige potência firme (energia disponível em horários específicos), e a solar fotovoltaica sem armazenamento não consegue garantir geração no horário de ponta noturna. Solar concorre nos leilões de energia (A-4, A-5, A-6), não de reserva de capacidade.

Quando deve ocorrer o próximo leilão A-4 com solar?

A ANEEL e o MME não publicaram cronograma definitivo até maio/2026. Estimativas do setor apontam para segundo semestre de 2026 ou primeiro semestre de 2027. A pressão das entidades setoriais é por leilões anuais regulares para renováveis.

O Fio B em 60% afeta usinas centralizadas?

Não. O Fio B é cobrança específica de geração distribuída (até 5 MW) sob Sistema de Compensação. Usinas centralizadas (UFV) operam por contratos PPA negociados em leilão ou no mercado livre — com regras próprias.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300. Editor do Solar Brasil.

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