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sábado, 19 de setembro de 2026
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Vedação do furo de fixação solar: o detalhe de R$ 8 que decide se o telhado infiltra

Arruela de EPDM, mástique ou silicone de banheiro — a diferença de material no furo de fixação do painel solar decide se a infiltração aparece em 2 meses ou nunca. Comparei os 4 métodos usados no Brasil.

Eng. Marcela Vargas 6 min de leitura
Detalhe de parafuso com arruela de vedação EPDM fixado em telha metálica de sistema solar
Detalhe de parafuso com arruela de vedação EPDM fixado em telha metálica de sistema solar

Um cliente meu em Contagem (MG) me chamou em janeiro, quatro meses depois de o sistema ter sido ligado: mancha de umidade crescendo no forro do quarto, bem embaixo de uma das fileiras de painel. O instalador tinha usado silicone comum — daqueles de tubo de loja de material de construção, não o poliuretano estrutural pra uso externo — pra “vedar” os 22 furos dos parafusos na telha metálica. Funcionou no seco. Na primeira sequência de chuva de verão com vento cruzado, a água entrou lateral, por baixo da cabeça do parafuso, escorreu pelo forro e só apareceu semanas depois. Refiz a vistoria com o cliente do lado e contei os furos: 4 já vazavam, 18 ainda seguravam — por enquanto.

O que aconteceu

Todo sistema solar fixado em telhado — metálico, cerâmico ou fibrocimento — precisa perfurar a cobertura pra prender o gancho, o parafuso estrutural ou o trilho. Não tem como fugir disso: a estrutura de fixação só segura o peso do painel (12 a 25 kg por módulo, mais carga de vento) se estiver ancorada direto na estrutura do telhado, não flutuando sobre a telha. Cada furo é um ponto onde a água pode entrar se a vedação for malfeita — e o problema raramente aparece na hora da instalação. Aparece semanas ou meses depois, na primeira chuva com vento forte o bastante pra empurrar água contra o furo em vez de escorrer reto.

O mercado brasileiro usa, hoje, quatro métodos de vedação nesse furo, e eles não são equivalentes:

  • Arruela de vedação em EPDM (borracha etileno-propileno-dieno): vem pré-instalada em parafusos estruturais de qualidade — a MTC Tools, fabricante especializada em fixação solar, descreve a arruela EPDM como “essencial para evitar infiltrações nos furos do telhado” e recomenda parafuso em aço inox AISI 304 ou 316 combinado com ela, pra resistir à corrosão sem comprometer a vedação.
  • Parafuso autobrocante com vedação integrada: usado em telha metálica, fura, rosqueia e comprime a própria arruela numa única operação — não depende de mão de obra aplicar produto extra.
  • Mástique de poliuretano ou fita butílica: aplicado por cima da arruela ou do parafuso, reforça a vedação em telha com perfil irregular (cerâmica, fibrocimento ondulado).
  • Silicone comum (acético, de uso doméstico): é o que sobra do orçamento apertado. Resseca, racha e perde aderência com exposição direta ao sol em menos de um ano — e é justamente o que causou o vazamento do meu cliente em Contagem.

Por que isso importa pra você

A diferença de custo entre o material certo e o errado, no orçamento total do sistema, é irrisória — uma arruela EPDM de qualidade custa na faixa de R$ 3 a R$ 8 por unidade, e um sistema residencial de 12 módulos usa entre 12 e 24 furos, dependendo da estrutura. Estamos falando de R$ 40 a R$ 200 no total pra fazer a coisa certa, num sistema que custa R$ 15 mil pra cima. Silicone de banheiro custa menos ainda — mas o prejuízo de um forro empenado, telhado embaixo do painel que precisa ser aberto de novo pra correção, e o desgaste com o instalador que some depois da obra, não cabe em comparação de centavos.

Tem outro detalhe que a maioria dos orçamentos não deixa claro: telha com garantia de fábrica (10, 15, 20 anos contra corrosão ou vazamento) costuma ter cláusula que anula a cobertura se o furo for feito e vedado fora da especificação do fabricante da telha — não só do fabricante da estrutura solar. Quem contrata o sistema raramente lê essa parte. Já vi fabricante de telha metálica recusar garantia porque o furo usou parafuso sem arruela EPDM compatível, mesmo o sistema solar em si funcionando perfeitamente. A corrosão galvânica entre metais diferentes na estrutura de fixação é outro erro clássico que aparece na mesma frente de serviço — parafuso errado não é só risco de vazamento, é risco de oxidar a própria estrutura por dentro.

O tipo de telha muda a técnica certa. Telha cerâmica quebra fácil se o furo for feito sem o cuidado de usar peça de transição (a chamada telha de vidro ou peça específica pra passagem de cabo/estrutura); telha metálica aceita parafuso autobrocante direto na onda mais alta; fibrocimento — ainda comum em galpão e casa mais antiga — exige atenção redobrada porque o material trinca com facilidade e é mais sensível ao tipo de instalação e obrigações específicas que a NBR e a legislação de amianto impõem. Já mostrei em outro texto como o tipo de cobertura muda até a geração do sistema — e a vedação segue a mesma lógica: não existe “um jeito único” que funciona igual em todo telhado.

A norma técnica que rege a estrutura de fixação, a NBR 16690, exige componentes resistentes à corrosão ou com tratamento superficial adequado ao local de instalação e à vida útil do sistema, e trata especificamente da prevenção de corrosão eletroquímica entre metais diferentes na estrutura — segundo o resumo publicado pela Aldo Solar. A norma não detalha marca ou modelo de vedante, mas o princípio é o mesmo: material compatível com o tempo de vida do sistema (25 a 30 anos), resistente a UV, não um improviso de obra.

O que fazer com isso agora

  • Pergunte, antes de assinar o contrato, qual material de vedação o instalador vai usar em cada furo — a resposta certa é “arruela EPDM” ou “parafuso autobrocante com vedação integrada”, nunca “silicone”.
  • Peça foto de cada furo antes e depois da vedação — instalador sério já manda isso como parte da entrega; se não manda, peça.
  • Confirme se o furo respeita a especificação de garantia da telha, não só da estrutura solar — ligue pro fabricante da telha se tiver dúvida, é gratuito.
  • Depois de instalado, vistorie o forro por dentro em dia de chuva forte com vento, nos primeiros 3 meses — é quando a vedação malfeita costuma se revelar.
  • Se aparecer mancha de umidade, não espere: quanto mais tempo a água escorre entre a telha e a manta/forro, maior a área de madeira ou estrutura que apodrece, e maior o custo de correção depois.

Se a infiltração já apareceu e o instalador não assume a correção, o caminho não é briga informal — é saber quem paga a conta quando o instalador furou a telha errado, porque a resposta muda dependendo se o contrato previa esse risco e se a instalação seguiu a técnica correta.

Fontes

E

Escrito por

Eng. Marcela Vargas

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300.

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