Pular para o conteúdo
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Solar Brasil SOLAR BRASIL
Notícias

EDP-ES sobe 7,52%: solar também sente o Fio B mais caro

ANEEL aprovou reajuste de 7,52% na EDP-ES, válido desde 7/8. Veja por que o Fio B não compensado encarece a conta até de quem gera 100% da própria energia.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Medidor de energia elétrica residencial instalado na fachada de uma casa
Medidor de energia elétrica residencial instalado na fachada de uma casa

Um cliente residencial da EDP Espírito Santo com sistema solar instalado em 2024 me escreveu preocupado: “se eu gero toda a energia que consumo, por que a conta ainda vai subir?” A pergunta é boa e a resposta não é óbvia — porque parte da conta de quem tem solar não é coberta pelo crédito, nunca foi, e é justamente essa parte que ficou mais cara.

O que a ANEEL aprovou

A diretoria da ANEEL homologou, em 28 de julho, o reajuste tarifário anual da EDP Espírito Santo. A nova tarifa vale desde 7 de agosto e atinge cerca de 1,82 milhão de unidades consumidoras no estado, segundo nota oficial da agência e cobertura do Canal Solar.

O efeito médio é de 7,52%. Mas o número que interessa pro consumidor residencial é outro: baixa tensão — grupo que inclui casas, comércio pequeno e propriedade rural — sobe 7,11% em média, e a classe residencial especificamente fica em 7,27%. Já a alta tensão, que atende indústria e grande empresa, sobe 8,65%.

A ANEEL atribuiu o reajuste a custos de transporte, distribuição e compra de energia, mais componentes financeiros que serão compensados nos 12 meses seguintes. O índice de 2026 é menor que o ciclo anterior (15,53%), mas o Canal Solar fez a conta que ninguém tinha feito: somando os dois últimos ciclos tarifários, o consumidor da EDP-ES acumula alta superior a 23% na conta de luz. Essa é a 25ª revisão tarifária homologada pela ANEEL só em 2026 — a maioria acima da inflação projetada de 5,1% pro ano.

Por que o Fio B mais caro pesa mesmo pra quem já tem solar

Aqui está o ponto que a maioria dos posts sobre reajuste não menciona: quem tem sistema fotovoltaico não fica imune a esse tipo de aumento, mesmo gerando 100% do que consome.

O crédito de energia solar compensa a Tarifa de Energia (TE) inteira, mas só compensa uma fatia do Fio B — componente da TUSD que remunera a rede de distribuição. Pela Lei 14.300/2022, essa fatia de compensação encolhe todo ano: em 2026, 60% do Fio B já é cobrado à parte, sem entrar na compensação por crédito. Esse percentual está detalhado em Lei 14.300: Fio B chega a 60% em 2026 — quanto pesa na conta.

O problema é que reajuste tarifário não sobe só a TE — sobe o valor por kWh de todos os componentes da tarifa homologada, Fio B incluído. Então mesmo o prossumidor que zera a TE com o próprio sistema continua pagando, sobre 60% do Fio B, um valor que também subiu 7,27% (classe residencial). Some a isso o custo de disponibilidade — a taxa mínima que existe independente de quanto o sistema gera — e o resultado é uma fatia da conta que cresce junto com o reajuste geral, painel ou não.

Não é a mesma dor de quem não tem solar (que sente o aumento na conta inteira), mas também não é zero. E integrador que vende “conta zerada” pra sempre normalmente não menciona essa parcela residual, que só tende a crescer conforme o calendário do Fio B avança — 75% em 2027, 90% em 2028. Compare o efeito região por região em payback solar por distribuidora, que já mostrava esse mesmo sistema pagando em prazos bem diferentes conforme a tarifa local.

O que fazer com isso na sua conta

Primeiro passo, pra quem já é cliente EDP-ES: confira a fatura de agosto e compare o valor da parcela “Fio B não compensado” (às vezes aparece como TUSD-Fio B ou componente financeiro) com a de julho. Se subiu proporcionalmente ao reajuste (~7,27%), está correto — não é erro de faturamento.

Segundo, pra quem está orçando sistema agora no Espírito Santo: o HSP médio do estado gira em torno de 4,9 kWh/m²/dia (CustoSolar, com base no Atlas Solarimétrico/CRESESB) — abaixo da média do Nordeste, mas ainda favorável. Peça pro integrador simular o payback já considerando Fio B a 60% neste ano e a escalada até 100% em 2029, não a tabela antiga de 2023. O guia de como calcular o payback real do solar, passo a passo mostra os erros mais comuns nessa conta.

Terceiro: quem quer entender o cenário nacional de reajustes de 2026 além do ES — Copel subiu 20,51%, CPFL Paulista 12,13%, Enel Rio 15,46% — tem o panorama completo em reajustes de tarifa elétrica em 2026: o que a ANEEL já aprovou e o que muda no payback do seu solar.

Minha leitura: o padrão de 2026 é reajuste dois pontos acima da inflação, ciclo após ciclo. Isso não muda a matemática de instalar solar — ainda compensa na maioria dos estados —, mas muda o argumento de venda de “conta zero pra sempre”. A conta certa é “conta bem menor, com uma fatia residual que sobe junto com a tarifa”. Quem não fala isso pro cliente está vendendo um retrato incompleto.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura editorial independente de energia solar fotovoltaica residencial no Brasil — dimensionamento, payback, equipamentos e Lei 14.300. Editor do Solar Brasil.

Continue lendo · Notícias

Ver tudo →